Naziflix

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Enquanto não nos contentamos em comprar ou utilizar os serviços oferecidos a nós e sim cismamos em fazer propaganda gratuita para milhares de empresas no nosso cotidiano, como bom exemplo de empresa ianque que é, a Netflix acaba de entrar para uma das mais tenebrosas listas da história: a lista de empresas a apoiarem publicamente o nazismo. A série “Winter on Fire – Ukraine’s fight for freedom”, em português “Inverno no Fogo – A Luta da Ucrânia por ̶n̶a̶z̶i̶s̶m̶o̶ liberdade”, retrata o que seria uma gloriosa “revolução” (sic) ocorrida com o levante fascista Euromaidan na Ucrânia, de caráter ultranacionalista, que golpeou o presidente democraticamente eleito Víktor Yanukóvytch e colocou o magnata fundamentalista Petro Poroshenko em seu lugar.

A série é de produção da própria Netflix, o que mostra para quem seus donos trabalham e quais suas intenções de disseminarem uma boa imagem do nazifascismo ao redor do mundo. Nem mesmo as bandeiras do partido nazista ucraniano (Svoboda) foram censuradas no documentário, deixando clara a mínima ou nula preocupação de seus produtores em serem razoavelmente coerentes ao colocarem no banner da produção a frase “the next generation of revolution”, que em português significa “a próxima geração da revolução”. Revolução nazista? Ou melhor: uma grande empresa apoiando revolucionários? Ao final do trailer de anúncio, a saudação neonazista ainda é exaltada: “Glória a Ucrânia, glória aos heróis”, heróis estes que dizimaram centenas de milhares de poloneses, em maior parte mulheres e crianças.

Pois é, seria cômico se não fosse trágico, já que o número de vítimas é cada vez maior. Quem vive em território “ucraniano” e fala russo é caçado até a morte pelos grupos ultranacionalistas e xenófobos, como o “Setor Direita”. Homens, mulheres, jovens, crianças, idosos. Com certeza a série não irá abordar episódios como o Massacre de Odessa, onde os “revolucionários” exaltados pela Netflix trancaram e queimaram vivos dezenas de russófonos e feriram outras centenas, num caso que foi escondido do resto mundo com todas as forças. Realmente, de acordo com a descrição que a produtora estadunidense dá a divulgação: “A ‘revolução’ não será televisionada, mas será filmada”, e foi, afinal graças a internet basta pesquisarmos sobre o Massacre de Odessa no Google e iremos nos deparar com verdadeiras cenas de horror. Mas parece que agora o que acontece na Ucrânia irá ganhar o mundo, mas pela voz dos próprios nazistas.

Logo, a Netflix se une a grandes corporações como a Hugo Boss, Volkswagen, Bayer, Siemens, Coca-Cola, Ford, IBM, BMW, General Eletric, a falida Kodak, entre muitas outras, a apoiarem financeiramente ou por meio de propaganda, regimes nazifascistas no mundo, com o agravante de não ter apoiado na década de 40, quando as informações eram reprimidas, mas em 2015, século 21, assumidamente para tudo e para todos. Fica então a reflexão se vale ou não a pena continuarmos a acreditar numa face humanizada do capitalismo, ou pior, criando e entrando em modas em prol desses grandes empresários e dessas grandes corporações, seja lá qual for o contexto, seja Netflix, seja Coca-Cola, seja O Boticário.

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